Nem toda queda de cabelo é calvície. A observação é do médico dermatologista Damiê De Villa, da equipe técnica do Kurotel, e ela muda a forma de encarar o problema: "Existem diversas causas de queda capilar e, por isso, o diagnóstico correto é fundamental para indicar o tratamento mais adequado".

Entender qual é a causa é o que determina o caminho. Abaixo, o dermatologista explica os principais tipos de queda, como identificá-los cedo e o que, no dia a dia, favorece a saúde dos fios.

Quais são os tipos mais comuns de queda de cabelo?

Cada um tem origem e comportamento distintos. "A mais comum é a alopécia androgenética, de origem genética e hormonal, que causa afinamento progressivo dos fios", explica o Dr. Damiê. "Também vemos com frequência o eflúvio telógeno, uma queda intensa geralmente desencadeada por estresse, doenças, parto ou emagrecimento, além da alopecia areata, de origem autoimune, e das alopecias cicatriciais, que podem levar à perda definitiva dos folículos", completa.

A distinção importa porque nem toda queda é permanente, e nem toda queda intensa é sinal de calvície. O eflúvio telógeno, por exemplo, costuma aparecer depois de um evento identificável, enquanto a alopecia androgenética se instala aos poucos.

A calvície é sempre genética?

Não, e essa talvez seja a crença mais difundida sobre o assunto. "A genética é muito importante, mas alterações hormonais, doenças, deficiências nutricionais, alguns medicamentos e períodos de estresse também podem desencadear ou agravar a queda de cabelo", afirma o dermatologista.

É uma boa notícia na prática: parte dos fatores envolvidos é modificável, desde que identificada corretamente.

A queda se manifesta de forma diferente em homens e mulheres?

Sim, e reconhecer o padrão ajuda na percepção precoce. "Nos homens, costuma começar pelas entradas e pelo topo da cabeça. Nas mulheres, geralmente ocorre um afinamento difuso, principalmente na região central do couro cabeludo, preservando a linha frontal", aponta o especialista.

Inclusive, ele pontua que, nas mulheres, justamente por preservar a linha frontal, a mudança tende a passar despercebida por mais tempo.

Como perceber os primeiros sinais?

Antes de identificar a falha visível, há mudança na qualidade do fio. "Muitas vezes o primeiro sinal é a diminuição do volume e da espessura dos fios", observa Damiê. Nesse caso, é importante a avaliação do médico dermatologista que permite identificar essas alterações ainda nas fases iniciais.

Quais hábitos podem prejudicar o couro cabeludo?

Químicas, calor e penteados muito presos entram nessa conta. Segundo o Dr. Damiê, esses hábitos podem aumentar a quebra dos fios e, no caso dos penteados muito apertados, causar alopecia por tração. "Embora não sejam a causa da calvície genética, podem piorar o quadro", diz.

Vale separar o que é mito do que não é. Bonés e capacetes não causam calvície. Lavar o cabelo todos os dias também não aumenta a queda, os fios que caem durante a lavagem já estavam no final do seu ciclo natural. E cortar o cabelo não interfere no crescimento. "O corte melhora apenas a aparência dos fios, sem interferir no crescimento ou na espessura", afirma Dr Damiê.


Quais tratamentos existem?

De acordo com o dermatologista, o ponto de partida é sempre a causa. "O tratamento depende da causa da queda e pode incluir medicamentos tópicos, orais ou ambos, sempre com orientação do médico dermatologista", explica Dr. Damiê. 

Procedimentos como microagulhamento, laser, intradermoterapia e terapias regenerativas entram como apoio. "São tratamentos complementares que, quando bem indicados, ajudam a estimular o crescimento dos fios e potencializam os resultados da terapia clínica”. 

Os shampoos antiqueda seguem a mesma lógica de complemento: ajudam na saúde do couro cabeludo, mas têm efeito limitado sobre o crescimento dos fios. São um complemento, e não o tratamento principal.

O mesmo vale para suplementos, que não são indicados indistintamente. Segundo o dermatologista, "eles são indicados principalmente quando existe deficiência nutricional ou uma necessidade específica identificada na avaliação médica".

Quanto tempo leva para ver o resultado?

Não se surpreenda, mas leva mais do que a maioria das pessoas esperam. "Os primeiros resultados costumam aparecer entre três e seis meses, enquanto a melhora mais significativa geralmente ocorre após seis a doze meses", afirma o Dr. Damiê.
Saber disso desde o início evita o abandono precoce do tratamento, que é uma das razões mais comuns para a sensação de que nada funcionou.

O que favorece a qualidade dos fios no dia a dia?

O médico dermatologista destaca que os hábitos que sustentam a saúde do cabelo são os mesmos que sustentam a saúde como um todo. "Uma alimentação equilibrada, sono adequado, controle do estresse, evitar o tabagismo e cuidar corretamente do couro cabeludo contribuem para a saúde dos cabelos", resume o Dr Damiê.

Nenhum desses itens age isoladamente sobre o fio. Todos participam do ambiente em que o folículo funciona, e é por isso que períodos de estresse intenso, privação de sono ou restrição alimentar aparecem tantas vezes no histórico de quem procura ajuda.

Quando procurar um dermatologista?
Cedo. Essa é a orientação que o Dr. Damiê considera essencial. O mais importante é procurar avaliação do médico dermatologista precocemente. Quanto antes identificarmos a causa da queda, maiores são as chances de controlar o problema e preservar os fios.

 

Perguntas Frequentes 

Shampoo antiqueda funciona?

Ajuda na saúde do couro cabeludo, mas tem efeito limitado sobre o crescimento dos fios. Funciona como complemento, e não como tratamento principal.

Cortar o cabelo deixa os fios mais fortes?

Não. O corte melhora a aparência, sem interferir no crescimento ou na espessura.

Lavar o cabelo todos os dias aumenta a queda?

Não. Os fios que caem durante a lavagem já estavam no final do ciclo natural.

Boné e capacete causam calvície?

Não. Já os penteados muito apertados, usados por longos períodos, podem provocar alopécia por tração.

Todo mundo deve tomar suplemento para cabelo?

Não. A indicação se dá principalmente quando há deficiência nutricional ou necessidade específica identificada na avaliação médica.

Toda queda de cabelo é calvície?

Não. Existem diversas causas de queda capilar, e o diagnóstico correto é o que define o tratamento adequado.