Você sabe o que realmente significa um cosmético clean? O termo tem se tornado cada vez mais comum no universo da beleza e do bem-estar, refletindo uma mudança na forma como escolhemos os produtos que usamos no dia a dia. Mais do que uma tendência passageira, os cosméticos clean valorizam fórmulas seguras, transparentes e livres de ingredientes considerados controversos - com foco na saúde da pele, na sustentabilidade e em escolhas mais conscientes.
"Quando um cosmético é chamado de clean, isso geralmente significa que ele foi formulado com ingredientes considerados seguros para a saúde humana e com menor impacto ambiental. Em geral, esse tipo de produto evita substâncias controversas, como parabenos, ftalatos, sulfatos, óleo mineral, derivados de petróleo, além de fragrâncias sintéticas ou artificiais", explica Helena Ullmann, química industrial da Kur My Home Spa.
Helena destaca que é igualmente importante que os ingredientes utilizados nos cosméticos clean não apresentem riscos à saúde, conforme os dados científicos disponíveis, e que haja transparência na formulação, com rótulos claros e informações acessíveis sobre cada componente. "Esse conceito também pode incluir preocupações ambientais, como ser vegano, cruelty-free, e utilizar embalagens recicláveis ou sustentáveis".
Ingredientes comuns excluídos em fórmulas clean
De acordo com Helena Ullmann, em fórmulas clean, certos ingredientes, são frequentemente excluídos por serem considerados potencialmente prejudiciais à saúde humana, irritantes para pele ou ao meio ambiente, mesmo que ainda sejam legalmente permitidos em cosméticos convencionais. São eles:
- Parabenos (ex.: methylparaben, propylparaben): usados como conservantes, mas há preocupações quanto à sua possível ação como disruptores endócrinos (interferem nos hormônios);
- Ftalatos (ex.: diethyl phthalate - DEP): utilizados para fixar fragrâncias, mas associados a problemas hormonais e reprodutivos;
- Sulfatos (ex.: sodium lauryl sulfate - SLS, sodium laureth sulfate - SLES): são detergentes eficazes, porém podem causar irritação na pele e nos olhos, além de removerem a barreira lipídica natural da pele;
- Fragrâncias sintéticas (“parfum” ou “fragrance” no rótulo): a composição exata geralmente é mantida em segredo, podendo conter dezenas de substâncias (inclusive alérgenos ou ftalatos);
- Óleo mineral e derivados de petróleo (ex.: petrolatum, paraffinum liquidum): têm baixo custo e são eficazes como emolientes, mas, por serem derivados do petróleo, levantam questões ambientais e de pureza;
- Silicones não biodegradáveis (ex.: dimethicone, cyclopentasiloxane): conferem toque sedoso, mas não são biodegradáveis e podem se acumular no meio ambiente. Algumas fórmulas clean os evitam por motivos ecológicos.
Desenvolver uma fórmula clean, eficaz e segura, no entanto, envolve diversos desafios técnicos, regulatórios e até comerciais. Como afirma Helena, embora o conceito pareça simples - “eliminar ingredientes tóxicos e usar apenas os bons” -, na prática isso exige muito conhecimento, pesquisa e investimento. "É necessário encontrar substitutos eficazes para ingredientes tradicionais. Trocar por alternativas clean que ofereçam a mesma performance, estabilidade e vida útil requer pesquisa e muitos testes", explica.
Segundo a especialista, é essencial garantir estabilidade microbiológica e química em produtos sem conservantes fortes, usando formulações equilibradas, pH adequado e embalagens seguras, pois a falta de estabilizantes aumenta o risco de oxidação, separação e contaminação. Manter textura, sensorialidade e apelo cosmético é desafiador, pois ingredientes como silicones proporcionam toque sedoso e bom acabamento, e substituí-los por óleos ou manteigas naturais pode alterar essas características e impactar a aceitação do consumidor.
Falando em consumidores, muitos adeptos do lifestyle clean também esperam embalagens recicláveis ou com menor impacto ambiental, o que adiciona uma camada extra de desafio: encontrar embalagens que sejam funcionais, sustentáveis e compatíveis com a formulação.
Cosméticos clean e a indústria da beleza
Como ressalta Helena Ullmann, a indústria da beleza tem respondido de forma ativa e estratégica à crescente demanda por produtos mais limpos, seguros e transparentes. "Esse movimento não é mais uma tendência passageira, mas sim uma mudança estrutural no comportamento do consumidor, especialmente entre as gerações mais jovens, que querem saber o que estão colocando na pele e quem está por trás do produto", afirma ela.
"Dessa forma, o setor tem se adaptado reformulando seus produtos, criando selos e critérios próprios, investindo em pesquisa e inovação, além de adotando maior transparência na comunicação", completa.
Kur My Home Spa e os cosméticos clean
A Kur My Home Spa interpreta o conceito de clean beauty de forma abrangente, integrando segurança, eficácia, transparência e sustentabilidade em cada etapa do desenvolvimento e da distribuição de seus produtos, que são formulados com ingredientes seguros e naturais.
"Nossas fórmulas priorizam ativos ecológicos certificados, evitando derivados de petróleo, parabenos, alergênicos e ingredientes controversos. Também são frequentemente utilizados óleos essenciais e extratos brasileiros, limpos e veganos, como nos blends de compostos botânicos", informa Helena, química industrial da marca.
"As fórmulas contam ainda com ingredientes funcionais modernos, como pantenol, ácido hialurônico e peptídeos, que oferecem hidratação e sensação imediata, além de claims de efeito “botox” suave. Os produtos passam por testes dermatológicos que garantem segurança para o público em geral; porém, nenhum deles é testado em animais. Além disso, há um programa de recolhimento de embalagens (inclusive de outras marcas) para reciclagem, incentivando o consumo consciente", complementa.